Francisco da Cruz Évora - O Espaço Infinito do Universo
O Espaço Infinito do Universo
O que a inteligência humana já pode compreender a respeito do espaço, isto é, das extensões infinitas que oferecem campo ao Universo – enquanto globalidade ilimitada de elementos em permanente ação ou movimento – vem sendo revelado pela ciência que enfeixa tais conhecimentos.
O Racionalismo Cristão ensina que tanto na Terra como nos inúmeros mundos dispersos pelo Espaço, existem muitos bilhões vezes bilhões de seres que pensam, raciocinam e produzem, uns menos habilitados que outros conforme as suas consecuções individuais numa longa jornada de busca de melhoramento material, mental e espiritual (vide cap. O Espaço, do livro Racionalismo Cristão, 44ª edição, e cap. A Renovação, do livro A Morte não interrompe A Vida).
Os Princípios irredutíveis do Universo
Com ou sem motivo atendível e aprovável, tudo o que é complicado pode ser descomplicado e tudo o que é simples pode ser reproduzido de forma complicada.
Segundo os ensinamentos racionalistas cristãos, em toda a parte e em todos os tempos, quer naquilo de que temos consciência como naquilo de que ainda não nos damos conta, existem dois e só dois Princípios de que tudo o resto decorre, tudo mesmo, sem qualquer excepção.
Um desses Princípios é inteligente, imaterial, ativo e transformador; o outro Princípio é passivo e amoldável. Na doutrina racionalista cristã, o Princípio inteligente é também designado frequentemente por Força Criadora (abreviadamente Força), Grande Foco ou Inteligência Universal; ao outro Princípio também se dá o nome de Campo de manifestação do Princípio Inteligente, ou Matéria Irredutível, independentemente da ação permanente que sobre ela exerce o Princípio inteligente.
No espaço infinito do Universo, a Inteligência Universal vibra, sem interrupção, acusando permanente ação consciente e causando na Matéria Irredutível um constante efeito mecânico. Daí que,
“Em nenhuma parte do Universo há Força que não esteja atuando sobre Matéria, nem Matéria que não tenha uma Força atuando sobre ela” (afirmação do físico, Prof. Valdir Aguilera, no artigo intitulado “Matéria, Massa e Energia”, publicado no jornal A Razão, de Março de 2012)
O Princípio inteligente e sua ação permanente sobre o seu Campo de Manifestação
Exclusivamente para efeito destas reflexões, e apenas para abreviar a escrita, a letra I vai ser usada para designar o Princípio Inteligente, enquanto a letra M será usada para designar o campo de manifestação de I. Assim,
Princípio I = Princípio Inteligente, Força Criadora, Grande Foco, Inteligência
Universal, Grandeza Total, Força, Luz, ou Inteligência.
Princípio M = Campo de Manifestação de I, Elemento fluídico universal, Matéria
fluídica reduzida a si mesma, Matéria em si.
[Reparo: o princípio de substituição de equivalentes é uma directriz do raciocínio, segundo a qual duas ou mais noções, quantidades, etc., que designam o mesmo podem ser substituídas uma por outra, na mesma base comum em que estiverem compreendidas, ou englobadas sem contradição interna]
A ação permanente de I sobre M, é a Vida, e é desta que resultam todas e quaisquer modificações em M, desencadeadas por I, com toda a sua Inteligência, Poder de agir e reagir e Poder Transformador.
M nada possui em si que possa revelar, atualizar, manifestar artisticamente, nos diversos domínios da natureza. Tudo quanto I detém em si, com exclusividade, e que exercita de diversas maneiras, designa-se na literatura racionalista cristã por atributo de I, ou abreviadamente “atributo”, visto que M não possui, de sua propriedade, nenhuma ferramenta, nenhum instrumento, nenhum recurso exercitável e susceptível de desenvolvimento, ou evolução.
O desenvolvimento dos atributos originais, enclausurados nas partículas ínfimas ou indivíduos de I, constitui a evolução dos indivíduos, enquanto processo em si. É evoluindo, desenvolvendo-se, aprimorando-se que os indivíduos chegam a ser espíritos e a ter um desenvolvimento mais e mais semelhante ao Desenvolvimento Original e Eterno de I. Na ciência espiritualista, os indivíduos recebem a denominação de espíritos desde que iniciam o processo evolutivo em corpo humano.
O efeito material progressivo necessário ao desenvolvimento dos indivíduos, ou que dele resulta, constitui a chamada evolução material, ou seja, dos meios ou condições em que se desenrola a evolução dos indivíduos. Porém, M foi, é e será sempre o mesmo: não evolui! Também as diversas categorias ou estados primários de M, organizados por I para servirem ao processo evolutivo, não evoluem, porque essa matéria necessária “já existe tal qual deve ser e é necessária, nos seus diversos estados, envolvendo os milhares de mundos, ligando-os, uns aos outros, ascendentemente” (cap. XL do livro Pela Verdade).
“O símbolo da evolução [dos indivíduos] é uma espiral que nasce de um ponto, (ponto de deslocamento da partícula involuída da Fonte Original) e desenvolve-se em curvas que se abrem, à medida que se elevam, ganhando em altitude e latitude, até atingir a cota final. Em face desse sistema instituído pela Grandeza Total, é que na vida, como lei, todos obedecem ao princípio inviolável da renovação constante” (Eng. Luiz de Souza, em A Morte não interrompe A Vida, cap. A Renovação)
O conjunto de princípios do processo evolutivo, foi predeterminado e instituído por I. Porquê? Para quê? Só ele sabe todas as respostas, para todas e quaisquer questões.
I mantém o Universo regido por leis naturais e imutáveis, de que se destaca a lei da evolução das suas próprias partículas, paralelamente à lei da transformação de M, a bem do processo evolutivo. Essas leis caracterizam-se por serem naturais e imutáveis.
Naturais, por decorrerem de uma sequência lógica no processo evolutivo, onde elas podem ser descobertas e enunciadas pondo em destaque a sua interpretação mais consistente com os desígnios superiores dessas mesmas leis. Com efeito, as leis naturais, bem entendidas, são fonte de normas de vida corretas, seguras e apropriadas, pelas quais se apura, se separa, o bem do mal, o justo do injusto, o correto do incorreto, o trigo do joio. Todo o ser humano, normal, tem essa consciência.
Imutáveis, por serem absolutas, amplas, livres de qualquer dependência ou sujeição. Nesse sentido, não há lugar para o imprevisto, para o acaso ou a dúvida, tudo está encadeado e tem sua razão de ser, se levarmos em conta que tudo se ressente das origens, e nessa origem está o Princípio I que tudo sabe e tudo pode, tanto sobre si mesmo como sobre M.
Os acontecimentos mas surpreendentes que possam ocorrer não passam de consequência lógica do desdobramento da própria vida, cheia de ações e reações, de causas e efeitos, sempre em busca do equilíbrio final, em que tudo é justamente contemplado com o fim de se chegar a uma consistente harmonia global, em benefício de tudo e todos.
I, agindo em obediência às leis evolutivas, utiliza-se de M no estado primário deste, e, com ele, forma estruturas materiais e realiza fenómenos incontáveis e indescritíveis que escapam à apreciação comum, considerados os limitados recursos deste planeta.
Assim sendo, toda e qualquer partícula de matéria organizada contém M, e também espelha o trabalho de I, o animador e organizador de M.
Diz o Racionalismo Cristão que a análise de informações obtidas por pessoas dotadas de alta percepção sensorial, mais conhecida por mediunidade, indica que existem de fato várias categorias de matéria, em vários estados de densidade - quais reservas de serviços potenciais destinados a satisfazer as exigências da evolução. Nesse estado, constituemcampos de energia.
Tanto na constituição dos sistemas estelares, quanto na estruturação das partículas atómicas, I age segundo uma linha de ação construtiva, em que, gradativamente, vão-se acentuando – nos indivíduos – as vibrações da vida e se intensificando as manifestações de inteligência.
I tem poder ilimitado e dele emana o pensamento na sua expressão máxima. Nada existe no Universo, em si mesmo, sem razão de ser, sem que fizesse falta se não existisse ou fosse suprimido. Nenhuma “criação” foi obra do acaso, já que tudo obedeceu a uma predeterminação rigorosa, ou rigorosamente preestabelecida. Essa palavra criação, aqui deve ser substituída pela expressão “transformação de M pela ação de I”. A idealização dos mundos, por I, corresponde às exigências da evolução. M é, portanto, o ambiente, o meio, em cujo seio I age e opera as maravilhas da criação.
“Todas as criações espirituais obedecem ao regime da evolução, enquanto as[criações] materiais ao da transformação. O Universo está repleto de vida, representada por partículas em evolução, e é a matéria que fornece os meios para essas partículas evoluírem. Assim é que na Terra os espíritos evoluem em corpo físico” (cap. Seitas e Religiões, do livro Ao Encontro de Uma Nova Era)
Se admito que I existe como uma unidade indivisível, cujas partículas estão eternamente ligadas entre si, então, eu mesmo, enquanto indivíduo, estou em I e em ligação com os outros indivíduos, continuamente, por meio de um fio de conexão indestrutível.
No Universo não existe, nunca existiu nem nunca existirá qualquer animação originária de M. Toda a animação só pode existir ou assomar de I. Considerando que essa animação se externa em ondas informativas, cheias de sentido, deu-se-lhe o nome de vibração. As vibrações propagam-se em ondas e, quando harmónicas entre si, ajustam-se e encaixam de tal maneira uma na outra que se torna difícil a separação.
O espaço está repleto de vibrações, diferentes umas das outras, e captáveis por instrumentos sensíveis a elas. Cada vibração captada, pode produzir uma revelação ou fenômeno correspondente. Um fenómeno é todo o processo que traduz, que manifesta, que revela, o respectivo movimento que o ocasionou, necessariamente. Os fenómenos particularizam-se, ou actualizam-se, em fatos, dentro de espaços (onde?) e tempos (quando?) delimitados.
O poder, faculdade ou capacidade – atuante ou potencial – detido por I, para fazer de M tudo quanto lhe apraz, chama-se energia (de I sobre I e externável sobre M). A energia com que uma coisa material qualquer, aparentemente, me impressiona, não nasce na condição material dessa coisa, mas sim na vibração de I que a anima. Essa energia que parece pertencer a uma coisa material, designamo-la por energia material, para distingui-la da energia real, atributo de I:
“Só pode ser considerado real aquilo que for eterno, quando se raciocina com o poder penetrante do espírito. A realidade relativa é que serve de argumento nas configurações terrenas” (Eng. Luiz de Souza, no livro A Morte Não Interrompe a Vida, cap. Perspectivas Reais)
A energia material se apresenta nos seres em diversos estados, e é desses estados que I desagrega e retira elementos para usar como matéria-prima na composição de corpos e correntes precisas na dimensão física e fora dela. É, de resto, o próprio I que organiza e governa, imperativamente, as diversas categorias ou formas de energia material.
Na dimensão física do Universo …
REFLEXÕES ACERCA DOS PRINCÍPIOS IRREDUTÍVEIS DO UNIVERSO
Os cientistas experimentais tradicionais, de cunho materialista, debruçam-se naturalmente sobre as coisas, fatos e fenómenos que os mesmos consideram ter origem material, de acordo com o seu entendimento em torno dos seus conceitos de matéria, energia e massa.
Na verdade, eles admitem que na matéria, tal como a concebem, reside tudo o que se pode saber acerca do Universo, inclusive a origem do pensamento, do sentimento e da vontade dos seres humanos.
Seja como for, o Racionalismo Cristão considera que “só é possível compreendermos o que somos como Matéria, devassando com o auxílio da Física, esse microscópico sistema planetário, como assim pode ser considerado o átomo. Com o seu estudo moderno (…) mostrou-nos o homem de ciência que a Matéria, outrora julgada inerte, é um grande reservatório de energias, as quais, no dia em que puderem ser utilizadas, mudarão o aspecto da face da Terra” (cf. livro Racionalismo Cristão, 43ª edição).
Não podemos esquecer que a ciência experimental tradicional, ao longo do seu percurso histórico criou a sua própria linguagem, que nem sempre coincide com a linguagem da ciência espiritualista, também designada por “espiritualidade”, a começar pelo termo Força e pelo termo Matéria. Mas, também, o próprio termo Energia não tem o mesmo significado numa e noutra dessas ciências.
Daí que, quando um cientista materialista fala, por exemplo, de força, matéria e energia, ele lá sabe o que diz, o mesmo acontecendo com o cientista espiritualista. No entanto, usando embora os mesmos termos, eles não estão a falar exatamente a mesma linguagem. Assim sendo, a comunicação entre eles fica difícil, requerendo uma competente tradução de uma para a outra ciência, e vice-versa.
Nestas reflexões pretendo pôr em destaque os conceitos racionalistas cristãos dos princípios irredutíveis do Universo e, particularmente, do nosso conceito de Força Criadora, ou Princípio Inteligente do Universo, como um Todo.
No entanto, o Racionalismo Cristão tem sempre presente as limitações da linguagem para tratar do aspecto transcendente da vida. As expressões nele empregadas são relativas, à falta de outras que melhor possam exprimir uma concepção de ordem absoluta.
O Espaço Infinito do Universo
O que a inteligência humana já pode compreender a respeito do espaço, isto é, das extensões infinitas que oferecem campo ao Universo – enquanto globalidade ilimitada de elementos em permanente ação ou movimento – vem sendo revelado pela ciência que enfeixa tais conhecimentos.
Os Princípios irredutíveis do Universo
Francisco